Em momentos de despedida, é natural que familiares e amigos queiram expressar carinho de todas as formas possíveis. Para muitas pessoas, beijar a pessoa falecida é um gesto simbólico de amor, respeito e encerramento emocional. No entanto, do ponto de vista médico e sanitário, especialistas alertam que essa prática não é recomendada e pode representar riscos à saúde.
Embora o assunto seja delicado, médicos explicam que a orientação não tem relação com superstição ou falta de respeito, mas sim com processos biológicos naturais que ocorrem após a morte e com a prevenção de doenças.
O que acontece com o corpo após a morte
Logo após a morte, o organismo humano passa por uma série de transformações naturais. O sistema imunológico deixa de funcionar, as defesas do corpo cessam e bactérias que antes estavam controladas começam a se multiplicar.
Segundo médicos patologistas e infectologistas, esse processo ocorre mesmo quando a pessoa faleceu por causas naturais e aparenta estar “bem conservada” durante o velório.
Entre as principais mudanças estão:
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Proliferação bacteriana acelerada
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Liberação de gases e fluidos corporais
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Alterações na mucosa da boca, nariz e pele
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Possível presença de micro-organismos patogênicos
Esses fatores tornam o contato direto com regiões sensíveis do corpo, como boca, nariz e olhos, potencialmente arriscado.
Risco de transmissão de micro-organismos
Um dos principais motivos pelos quais médicos orientam evitar o beijo em pessoas falecidas é o risco de transmissão de bactérias e vírus. Mesmo após a morte, micro-organismos podem permanecer ativos por algum tempo, especialmente em ambientes fechados e com contato físico próximo.
Doenças respiratórias, infecções bacterianas e outros agentes infecciosos podem estar presentes, principalmente se a causa do óbito envolveu infecção, internação prolongada ou sistema imunológico comprometido.
Embora o risco absoluto seja considerado baixo em alguns casos, ele não é inexistente, e a medicina preventiva sempre trabalha com o princípio da cautela.
Cuidados especiais em velórios e funerais
Durante velórios, médicos e autoridades de saúde costumam recomendar algumas medidas básicas para preservar a saúde dos presentes, especialmente idosos, gestantes e pessoas com imunidade baixa.
Entre as orientações mais comuns estão:
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Evitar contato direto com boca e rosto do falecido
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Lavar as mãos após tocar no corpo ou no caixão
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Manter o ambiente ventilado
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Evitar aglomerações prolongadas em locais fechados
Essas recomendações não têm o objetivo de afastar o luto ou o afeto, mas sim de reduzir riscos desnecessários.
O aspecto emocional do gesto
Especialistas em saúde mental reconhecem que o desejo de beijar a pessoa falecida está ligado ao processo de despedida e à tentativa de manter um último contato simbólico. Esse gesto pode ter significado emocional profundo para algumas famílias.
No entanto, psicólogos ressaltam que existem outras formas igualmente válidas de despedida, como:
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Segurar a mão
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Fazer uma oração ou pensamento silencioso
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Depositar flores
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Permanecer alguns minutos em silêncio
Essas alternativas permitem o encerramento emocional sem envolver riscos à saúde.
O que dizem os médicos
Médicos explicam que a recomendação não deve ser vista como proibição absoluta, mas como orientação preventiva. A ciência médica prioriza a segurança coletiva, especialmente em momentos em que as emoções podem levar a decisões impulsivas.
Segundo especialistas, o carinho e o respeito não estão no contato físico em si, mas na intenção e na memória que se preserva da pessoa que partiu.
Respeito, saúde e consciência
É importante lembrar que práticas em funerais variam conforme a cultura, religião e tradição familiar. Ainda assim, conhecer as orientações médicas ajuda as pessoas a fazerem escolhas mais conscientes, equilibrando emoção e cuidado com a saúde.
Evitar o beijo em uma pessoa falecida não diminui o amor, nem o respeito, nem a dor da perda. Pelo contrário: demonstra zelo por si mesmo e pelos outros que também estão vivendo aquele momento difícil.
Conclusão
O alerta médico sobre evitar beijar pessoas falecidas está baseado em fatores biológicos e sanitários reais, ainda que pouco conhecidos pelo público em geral. Após a morte, o corpo passa por mudanças naturais que podem representar riscos, mesmo que discretos.
Em momentos de despedida, o mais importante é honrar a memória de quem partiu com respeito, consciência e cuidado — consigo mesmo e com os demais. O amor permanece nas lembranças, nas histórias compartilhadas e no legado deixado, independentemente do contato físico final.